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2.3.10

E a neve, minha gente?


Foto tirada umas duas horas atrás, da janela do meu quarto. Quando tirei a foto, a neve tinha diminuído, mas agora aumentou


Hoje está nevando em Bergen. De novo. Já são quase três meses que a cidade não sabe o que é chuva, para a alegria da criançada nos jardins de infância e daqueles que estão de férias aqui. Para quem trabalha e estuda...o saco já encheu. Bergen fica linda com neve, mas não é uma cidade preparada para tal. O inverno daqui costuma ser chuvoso e com temperaturas positivas - leia-se uns dois, três graus, já que para os noruegueses o inverno brasileiro é o verão deles. Um pouco de neve consegue bagunçar a cidade inteira, e essa quantidade de neve (que é baixa para outras cidades norueguesas) tornou Bergen um lugar não muito fácil de viver.
Carros estão escondidos pela neve, e quem se aventura a dirigir corre o risco de não ter lugar para estacionar quando voltar. A kommune já pediu para as pessoas economizarem água porque as reservas estão congeladas. A mesma kommune não retira a neve das calçadas e conforme as pessoas caminham por elas, a cidade se torna um festival de vídeocassetadas - fica ae a dica para os imbecis que votaram na coalisão Høyre/FrP. E pelo andar da carruagem, o tempo ficará assim até ABRIL.
- PRIMAVERA, CADÊ VOCÊ, EU VIM AQUI SÓ PRA TE VER!
As minhas mãos estão iguais a filial do deserto do Saara de tão seca que a pele está. Chega a criar algumas feridinhas. Sim, cara desavisada, já comprei creme para as mãos; aparentemente Vaseline Intensive Care Hand & Nail não é de muita ajuda, mas é o que o dinheiro dá no momento.
O inverno com neve tem lá as suas vantagens, isso é verdade. Não é tão irritante quanto a chuva e a sensação térmica aparenta ser maior, mas chega né? Foi bonitinho durante o natal e em janeiro - tirando o fato de que o ar ficou super poluído e teve rodízio de veículos, ainda bem que eu não estava aqui para sobreviver - porém já estamos em MARÇO.
Mas o que adianta reclamar, não é? Enquanto neva lá fora, fico aqui em casa lendo para a universidade, praguejando a minha gordice e tentando criar coragem para malhar. Sei não, acho que vou de trenó para a academia.

18.2.10

E tudo que eu queria era um VIP...


Imagem meramente ilustrativa, obviamente

Tem horas que é fácil demais perder a paciência com a universidade daqui. Diante de alguns problemas óbvios; a eficiência escandinava logo se transforma em burocracia Kafkaniana, de dar vontade de esmurrar a cabeça na parede - não a MINHA cabeça, claro, mas a do funcionário que te atende.
Tenha como exemplo a situação que os alunos que escolheram KVIK 101 como eletiva. KVIK 101 é uma matéria ligada a Instituição Histórico-Filosófica da Universidade de Bergen, que pode ser escolhida como eletiva - já que você tem 60 créditos que obrigatoriamente servem para isso. Como a entrada para certos centros não é liberada para todos os estudantes, geralmente deixam a porta aberta; mas sabe se lá o porquê, desistiram de fazer isso lá no Centro de Estudos de Gênero. Solução: programar os cartões de todos os alunos.
Bem, isso foi o que nos foi passado por e-mail. Ao chegar no kortsenteret...

- Bom dia, estou aqui para programar o meu cartão para liberarem a minha entrada lá em Jekteviksbakken.
Tinham duas funcionárias no momento, uma que com certeza era norueguesa e a outra era do leste europeu. Fui atendida pela segunda.
- Ahn...uma aluna de SV quer ter entrada para Jekteviksbakken.
- Éééé, ela quer a entrada... - responde a norueguesa com a maior cara de cu que já vi na minha vida.
E ficam nessa conversinha típica de gente bunda mole para ver o que precisa ser feito, ligando para o chefe e basicamente cagando e andando para a minha presença, até a hora que a moça do leste europeu finalmente me entrega o meu cartão e avisa:
- Olha, não posso te dar autorização agora porque o teu cartão é antigo.
E...pronto. Eu olhei para ela e perguntei:
- Então não poderei entrar no lugar que eu estudo hoje?
- Não.
Eu não acreditava na conversa. A mulher respondia para mim como se ela fosse uma hostess de algum lugar bem badalado e eu fosse um mendigo tentando entrar! E eu já estava atrasada para a aula.
- E o que eu faço então?
- Como o seu cartão é antigo, você precisa voltar semana que vem aqui para buscar o novo, mas isso só depois das 11h.
- Então na verdade serão DUAS quarta-feiras que eu não terei acesso ao lugar onde estudo?!
- Sim.
A partir daquele momento esperava um elefante rosa voador adentrar o local, porque isso só podia ser um mundo surreal. Como assim, minha filha, eu estudo lá! O colóquio é presença OBRIGATÓRIA! Eu não posso ficar do lado de fora só porque você quer!
Aí eu lembrei do e-mail.
- Mas no e-mail avisava que se você tivesse o cartão antigo, ganharia um cartão temporário até o novo chegar.
A mulher do leste europeu DE NOVO consultou a norueguesa:
- Vou fazer mais um cartão temporário? Mas já são tantos!
- Éééé, foi o que estão dizendo por aí - e a cara de cu da norueguesa já tomava a sala inteira.
A mulher fez o cartão temporário e avisou que eu deveria entregá-lo quando buscar o novo cartão.
Saí de lá abismada. Primeiro, que culpa eu tenho da comunicação da universidade ser uma merda? Eu recebi o e-mail da minha professora e fiz o que foi pedido nele! E olha que em nenhum momento fui grossa, apesar delas merecerem bastante.
Quando cheguei na sala de aula ainda soube de meninas que simplesmente ganharam um sonoro NÃO, sem nem uma explicação decente.
Se a universidade fosse mais esperta menos burocrática, o acesso deveria ser automático - se inscreveu, pagou a taxa semestral, pronto! Mas não. Preferem complicar tudo de uma tal forma que as aulas são prejudicadas e os alunos só tomam. Haja saco!

25.7.09

Histórias do meu trabalho


Amigão, tem dez pessoas atrás de você e só eu para atender. Dá para se decidir ou está difícil?


Para quem me acompanha desde o blogger.com.br, sabe que eu trabalho na maior parte do tempo como uma quase garçonete: preciso esquentar os sanduíches, atender o cliente, preparar café e receber o pagamento, sem ser necessariamente na ordem ditada. E como é período de férias, tem-se a impressão de alguns viajantes esquecerem o cérebro em casa, provavelmente em cima da cama. Haja paciência para não levar uma arma para o trabalho e atirar no primeiro imbecil que aparece. Resolvi resumir alguma das coisas que aconteceu comigo, para o seu deleite e a minha desgraça.

História 1: "Café, nozes, é tudo a mesma coisa..."

Onde eu trabalho tem sorvete italiano, e cada sorvete tem uma plaquinha com uma foto e o nome do sorvete. Quando não tem o sorvete de um determinado sabor, colocamos um outro no lugar, mas nada que uma olhada na placa e no sorvete para notar que não é o mesmo sorvete. Certo? ERRADO.
Cliente 1: - Oi, eu quero dois sorvetes de copinho, com duas bolas em cada.
Eu: - Sim, qual sabor?
*Cliente grita para a outra cliente*: FULANA, QUAL SABOR QUE VOCÊ QUER?!
*Fulana responde: QUERO SABOR CAFÉ*
Eu, para cliente 1: - O sabor café está esgotado.
*Cliente 1 passa o recado para a fulana, que se levanta da cadeira falando*: - TEEEEM SIM QUE EU VIII, OLHA AQUIIIII!
Ela aponta para o de sabor nozes.
Eu explico para ela que aquele é nozes, e não café. Ela faz aquela cara de "ahn..." e escolhe outro sabor.

Dia do meu aniversário, lugar lotado, me aparece o cliente 2.
Cliente 2: - Quero duas bolas de sorvete.
Eu: - Casquinha ou copinho?
Cliente 2: - Casquinha.
Cliente 2 faz todos os pedidos e paga.
Eu: - Quais os sabores do sorvete?
Cliente 2: - Uma bola de café...
Eu: - Senhor, o de café está esgotado.
Cliente 2: - Mas está ali escrito "sabor café".
Eu: - Senhor, aquele é o de nozes, o de café esgotou.
Cliente 2: - Ahn, então eu quero outro tipo de sorvete.
Tive que cancelar a conta, registrar tudo de novo e o cliente ainda me diz "a culpa não é minha, está ali escrito". A minha vontade era de dizer que "sim, a culpa é tua, quem mandou ser um imbecil que não consegue diferenciar CORES E ASPECTO do sorvete!!!!"

História 2: E desde quando você precisa de vida social?

Toda vez que estou para fechar, o lugar está vazio e me aparece um gato pingado querendo beber cerveja, sempre aviso que fecharei em X minutos e que se ele realmente quiser beber cerveja, vai ter que beber nesse período. Na MAIORIA das vezes, dá o horário de fechar e está o ursinho pimpão, bebendo tranquilamente e batendo papo, como se tivesse o tempo todo do MUNDO para ele. Geralmente quebro o galho do fofo, porque começo empurrando as coisas para dentro, esticando por alguns minutos o prazo para o cara. Aí quando vou recolher o copo, ele pergunta se "não tem como eu esperar alguns minutos". Meu senhor, aqui não é um restaurante. Não tem outra pessoa para me ajudar a fechar, é só Deus e eu, mas Deus nunca limpa o pó das mesas enquanto eu fecho o caixa. Então, por favor, enxugue o copo e me deixe fechar em paz.


História 3: E desde quando você precisa de vida social? [2]

Véspera de um feriado BEM ensolarado, sábado de tarde trabalhando feito doida. Fecho o estabelecimento e começo a rotina de limpeza. Vem uns adolescentes perguntando:
- Você já fechou?
- Sim.
- Não tem como servir a gente?
- Não.
- Nem um sorvete?
- NÃO.
Eles sentam DENTRO da área fechada do quiosque, preciso avisar para eles que ali não poderiam sentar, e eles se retiram. Mais tarde, chega uma mulher e pergunta:
- Você fechou?
- Sim.
- Você sabe se tem outro estabelecimento aberto no aeroporto?
- Senhora, não sei, mas como hoje é sábado e véspera de feriado (n. da a., o que significa poucas decolagens e aterrisagens), creio que só o 7-eleven está aberto a essa hora.
A criatura me olha com uma cara de espanto e diz:
- Mas isso em um aeroporto?!?!?!?!!?!?!?!
*suspiros*

História 4: "Atrás de uma pergunta idiota existe uma pessoa preguiçosa"

Nós temos menus que mostram o que temos de comida para servir e o preço. Para facilitar mais ainda a vida do imbecil cliente, temos plaquinhas em frente aos pratos, com o nome e o preço. Aparentemente isso não é o suficiente, pois mesmo depois de ler o menu e a plaquinha, ainda perguntam "o que é isso". PORRA, É TÃO DIFÍCIL LER O MENU? SÉRIO??? Entendo quando é turista, porque o menu está em norueguês, mas quando é o povo daqui, puta merda...

História 5: A Segunda Guerra Mundial não acabou, aparentemente

No verão sobe muito a quantidade de alemães que vem para cá. Mas alemães não são clientes fáceis, principalmente os mais velhos. Primeiro que eles falam em alemão com você, e ESPERAM serem entendidos. Você fala em norueguês, eles não entendem. Fala em inglês e eles entendem menos ainda. E começam a repetir em alemão, beeem devagar que é para você entender. Ô IMBECIL, AINDA NÃO PERCEBEU QUE EU NÃO FALO A TUA LÍNGUA? A Noruega não está mais ocupada pelo exército de Hitler, então não precisamos entender o que você quer dizer. E para piorar, alemães não deixam gorjeta. Bando de filhos da puta.

30.4.09

Vou sair com um hetero*, e agora?


Não me olhe com essa cara. É sério. Fui meio que intimada pela minha professora de italiano a levar o filho dela (26 anos) para sair à noite aqui. Não sei muita coisa à respeito dele, além de ter dividido a mesma cama com ele - não ao mesmo tempo, né, chuchu?! Eu não sei sair com homem hetero*, tirando situações que envolva sexo, turismo ou a combinação dos dois.
"Mas Kelly, você não tem um namorado?"
Tenho. Mas quando saímos, é um programa que nós dois gostamos! No dia que ele me perguntar sobre um programa para ele ir sozinho, além do que ele já está acostumado, vou me ver em apuros. O que diabos vou sugerir para ele? "Olha, tem um barzinho gay ali que é uma loucura..."?! Ele vai me olhar com uma cara e é capaz dele terminar comigo, pois sei que ele detesta dançar.
E agora tem mais essa, vou sair com um cara que nem o gosto musical eu sei! Será que ele é metaleiro mala? Um hetero metido a dançarino? Ou um pseudo-intelectual? Para piorar, aqui não é Rio de Janeiro, as opções são escassas!
Para quem quiser saber, optei pelo Inside, agora só falta o cara não gostar de heavy metal e chiar sobre o lugar. Aí eu mando tomar no cu. Talvez ele goste, se assuma e poderemos sijogar moooooito na boate gay daqui. Tomara!



* Não faz a chata, você sabe o que eu quis dizer quando escolhi a palavra hetero. Não vem com papo de preconceito, ok? Beijos!

6.3.09

Nunca mais

Escreve aí: nunca, mas NUNCA compre celular da Samsung. Principalmente se for o modelo SGH-Z240. Está para nascer um celular mais VAGABUNDO do que esse. O celular simplesmente NÃO pega dentro de casa! Para pegar, precisa estar ligado a alguma cobertura 3G. O 3G pega bem muito bem em ambientes abertos, mas chegou em ambientes fechados a merda não funciona. Meu irmão, eu não comprei um celular para ter cobertura 3G, e sim para FALAR com outras pessoas. Foda-se chamada em vídeo, se eu nem consigo fazer o básico!
Eu achava que o problema estava com a Telenor, afinal de contas ano passado a kommune de Bergen derrubou uma antena aqui perto de casa e fodeu com a vida de quem usa celular aqui no bairro. Depois de finalmente acabar o contrato com esta bosta, comecei a usar One Call e...vocês já sabem, a merda não pega. Agora tenho mais uma dívida a adquirir, porque não posso ficar incomunicável quando estou em casa!

Bonitinho, mas ordinário. Muito ordinário.

20.10.08

Post do dia 18/10

19.2.08

Post do dia 19 de fevereiro

Essa página está dando erro, ao menos aqui, é só apertar o F5 que vem o texto inteiro...
Post do dia 13 de fevereiro

28.1.08